English Site
back
5 / 06

#804 O perdão dos pecados que vou cometer

November 05, 2022
Q

Caro Dr. Craig,

Estou ouvindo o seu último podcast, em que o senhor diz que Deus não pode perdoar pecados futuros porque (dada a teoria A do tempo) ainda não o cometemos.

No entanto, será que o conhecimento médio não poderia entrar em jogo aqui? Será que Deus não poderia perdoar-lhe os pecados que, sabia ele, você cometeria no mundo plausível (e, dado que este mundo plausível foi realizado, você irá mesmo cometê-los)?

Ou até mesmo, quando Jesus pagou o pecado na cruz, será que não poderia ter incluído pagar os pecados que as pessoas cometerão no futuro (porque Ele sabia que os cometeria)?

De fato, não seria possível construir uma teoria molinista de expiação limitada, em que a morte de Cristo na cruz paga os pecados plenamente, mas apenas daqueles que, segundo Deus sabia, aceitariam a Cristo?

O que o senhor acha?

Peter

Reino Unido

United Kingdom

Dr. Craig responde


A

Ah, não, Peter, o perdão de pecados por parte de Deus que ele sabia, por seu conhecimento médio, eu cometeria é ainda mais implausível do que o perdão de pecados por parte de Deus que eu cometerei. Isto porque talvez eu jamais cometa os pecados que, segundo Ele sabia, eu cometeria, de modo que não há nada para perdoar. Suponha, por exemplo, que eu tivesse sido criado na Alemanha antes da II Guerra Mundial. Eu teria virado nazista. Essa condicional hipotética é verdadeira no mundo real. Contudo, uma vez que o antecedente não é realizado, tampouco o é o consequente.

Somente no caso de uma hipótese cujo antecedente e consequente sejam atualizados em algum momento, eu cometo, de fato, o pecado. Porém, no caso, simplesmente voltamos à questão dos pecados futuros: antes de eu realmente cometer o pecado, será que Deus me perdoa? Se não sou culpado antes de cometer, de fato, o pecado, eu não sou, certamente, culpado de um pecado que, segundo Deus sabia mediante seu conhecimento médio, eu cometeria no mundo real.

Concordo que a morte expiatória de Cristo pagou todos os pecados, passados, presentes e futuros, mas os benefícios da sua morte expiatória não são, de fato, aplicados até que a pessoa os cometa e se volte para Deus em arrependimento e fé. Esta é a velha distinção entre “redenção realizada e aplicada”.

Por fim, defendo que o molinismo oferece, de fato, os meios de uma doutrina aceitável de expiação limitada. Seria possível manter que Deus morreu apenas para os eleitos e que os pecados dos não-eleitos não são pagos por sua expiação. No entanto, os não-eleitos ainda poderiam ser salvos, pois, caso se voltassem para Deus em arrependimento e fé, como são livres para fazê-lo, Deus, mediante o seu conhecimento médio, teria sabido disto, e a expiação de Cristo teria pagado os pecados deles! A questão, então, não é se a doutrina de expiação limitada é coerente, mas se ela é bíblica.

- William Lane Craig