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#154 O Relâmpago Atinge Novamente

October 28, 2014
Q

Eu ainda estou limpando minha caixa de entrada! Então eu decidi fazer mais uma rodada relâmpago de perguntas que podem ser respondidas de forma rápida. Algumas delas vêm de visitantes estrangeiros, então, por favor, seja paciente com o inglês quebrado deles. Em alguns casos, eu vou dar referências onde eu abordei as questões mais profundamente.

Pergunta 1:

Caro Dr. Craig,

Eu me deparei com um novo modelo cosmológico desenvolvido por Roger Penrose chamado Cosmologia Cíclica Conforme, onde ele afirma que quando o universo atinge seu destino final de entropia máxima, ele, de alguma forma, "perde" a contagem do tempo devido à ausência de matéria e vem a existência mais uma vez através de um novo Big bang. Sua teoria argumenta que existe apenas um universo que passa por diferentes fases ou eras, como ele os chama. Cada era começa com um Big Bang e termina com entropia máxima, que por sua vez implica que a entropia volta a zero e se transforma em um novo big bang e assim por diante. Um vídeo de uma de suas apresentações pode ser encontrado aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=fJ-D5AUGVcI

Estou em dúvida se esta teoria é sólida. Se sim, como ela impacta o Argumento Cosmológico Kalam?

Muito obrigado,

George

- país não especificado

United States

Dr. Craig responde


A

Jim Sinclair e eu co-autoramos de um artigo sobre o início do universo, e Jim está interagindo com o novo modelo cosmológico conformal de Penrose. Jim argumenta persuasivamente que as fases do modelo não são temporalmente ordenadas como antes e depois, mas em vez disso são na verdade dois universos com uma fronteira no passado comum. O modelo de Penrose é, portanto, realmente um modelo de um multiverso com um começo.

Pergunta 2:

Caro Dr. Craig, eu estava presente em duas de suas conversas quando você estava em Hyderabad e eu aprendi muito com ambas as suas palestras. Minha pergunta é sobre a adoração de ídolos, esta pergunta surgiu porque um dos meus amigos hindus diz que cristão pratica adoração a ídolos e quando eu disse que não, ela apontou que católicos praticam adoração a ídolos. Eu não quis concordar com isso, mas ela disse que a estátua de Jesus e Maria na Igreja Católica significam adoração de ídolos. E eu perguntei a alguns dos meus amigos cristãos se é verdade que o católico pratica idolatria. Alguns deles disseram que sim. É verdade, então, que ter estátua de Jesus ou de Maria na Igreja faz com que a igreja faça parte da categoria de adoração de ídolos? Se você puder esclareceu essa questão minha eu serei muito grato.

Deus abençoe você!

Obrigado

khrienuo

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Maravilhoso ouvir de você da Índia! Eu gostei tanto de visitar seu país pela primeira vez.

A Igreja Católica não endossa de forma alguma a adoração das estátuas de Jesus e Maria. A Igreja Católica se opõe à idolatria.

O problema é que, em uma cultura hindu idólatra como a da Índia, onde ídolos estão por toda parte, o perigo de abuso popular de estátuas para culto idólatra é grande. Tendo em conta este perigo, eu acho que as igrejas não devem ter tais estátuas para que as massas não se deixem enganar.

Pergunta 3:

Craig disse "para ter significado você precisa tanto de Deus quanto da imortalidade". Por que precisamos de imortalidade?

Se Craig escreveu algo sobre o assunto, apenas refira-se onde posso encontrar esse texto, popular ou acadêmico.

Atenciosamente

Jesper

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Sua pergunta também perturbou o autor de Eclesiastes, que era um teísta, mas que não tinha uma crença na imortalidade e assim viu a vida como sem sentido. Leia o livro e dê uma olhada no capítulo dois do meu livro Reasonable Faith.

Pergunta 4:

Caro Dr. Craig. Tenho me perguntado quais são, exatamente, suas visões sobre a evolução, para o quê você mais se inclina e por que você não aceita a evolução darwinista? A evolução tem sido empurrada como um fato científico, então eu gostaria de saber a sua opinião. Eu sou uma jovem de 16 anos cristã e indecisa sobre a evolução e francamente cansada de ouvir os argumentos criacionistas da Terra Jovem.

Obrigada pelo seu tempo!

Lane

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Inclino-me para o criacionismo progressivo de algum tipo como a melhor explicação para a evidência. Ouça o meu podcast dos Defensores sobre doutrina da criação para uma explicação. Também dê uma olhada no meu debate com Francisco Ayala para a minha falta de confiança nos mecanismos explicativos disponíveis atualmente de mudança evolutiva.

Pergunta 5:

É válido formular um argumento a partir da primeira lei da termodinâmica baseada no fato de que a lei não permite que energia seja criada?

Se fosse vir à existência por conta própria, então a limitação estabelecida pela lei só se aplicaria depois que ela fosse criada por si mesma com sucesso.

Se este conceito é válido, você pode ajudar a construir um silogismo básico?

Obrigado por esse trabalho maravilhoso que você faz para o nosso Senhor.

Wilfredo

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Depende do que você está defendendo! Alguns detratores de nível popular do argumento cosmológico kalam pensam erroneamente que um início absoluto do universo viola a primeira lei. Eles não parecem perceber que, se isso fosse verdade, então o modelo padrão do Big Bang violaria as leis da natureza! Mas, como você aponta, a lei só tem valor uma vez que a esfera natural existe. Ele governa tudo no espaço-tempo, mas não a origem do próprio espaço-tempo. Você não precisa se preocupar que a lei tenha criado a si própria ou o universo, já que a lei não é uma coisa concreta, mas, no máximo, uma proposição ou objeto abstrato que não tem relação de causalidade com qualquer coisa. De qualquer forma, a auto-causação é impossível no sentido temporal, uma vez que, a fim de causar a si mesmo o efeito teria que existir antes da sua existência, o que é auto-contraditório.

Pergunta 6:

Caro Dr. Craig,

Hoje na minha aula de filosofia, fui apresentado à Teoria do Comando Divino e aos problemas que ela representa para a moralidade objetiva ser fundamentada somente em Deus. O ateu com o Dilema do Eutífron pode reivindicar que a moralidade de Deus é arbitrária e, em última análise, subjetiva. Como é que um teísta contorna isso, porque eu estou tendo dificuldades para encontrar uma resposta.

Deus abençoe,

Ben

- país não especificado

Dr. Craig responde:

O prof. evidentemente interpreta a Teoria do Comando Divino como sendo voluntarista: que Deus simplesmente inventou os valores morais. Mas essa não é a melhor formulação da teoria. Leia o ensaio de William Alston, “What Euthyphro Should Have Said,” [O que Eutífron deveria ter dito] no meu livro Philosophy of Religion (Rutgers University Press, 2002), ou dê uma olhada no meu tratamento da bondade de Deus no capítulo sobre atributos divinos em Philosophical Foundations for a Christian Worldview [Filosofia e Cosmovisão Cristã] (IVP, 2003 ).

Pergunta 7:

Qual a diferença entre Molinismo e Teísmo Aberto?

William

- país não especificado

Dr. Craig responde:

O Teísmo Aberto nega que Deus tem presciência de eventos futuros contingentes (como escolhas livres) ou conhecimento médio de contrafactuais da liberdade da criatura (tal como "Se McCain fosse presidente, ele não teria empurrado uma iniciativa de seguro de saúde pelo Congresso." Molinismo afirma ambos. Ver o meu The Only Wise God (Wipf & Stock, 2000).

Pergunta 8:

Dr. Craig,

Primeiro eu queria dizer que eu gosto do seu trabalho e admiro muito o seu conhecimento e sabedoria.

Minha pergunta trata de algo que está fora da norma de temas perguntados em seu site, e está se tornando muito controverso e polêmico dentro do Corpo de Cristo hoje. Quais são os seus pontos de vista e pensamentos sobre a teologia da prosperidade ou o evangelho da prosperidade, como tem sido chamado. Tenho ouvido oponentes dizendo que é uma falsa doutrina e uma abominação e eu ouvi os defensores dizendo que ela está tentando tirar as pessoas da condenação e mentalidade pequena ensinada em muitas igrejas hoje. Estou confuso sobre o que pensar de todas essas doutrinas secundárias na igreja de hoje. Por favor, me ajude Dr. Craig!

Sinceramente e grato,

Don

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Eu acho que o evangelho da prosperidade da saúde e da riqueza é uma falsa doutrina e uma abominação. Esse evangelho não será pregado em Darfur, Iraque, Coréia do Norte, ou em milhares de outros lugares, e se ele não será pregado lá, não é o verdadeiro Evangelho.

Pergunta 9:

Eu recentemente li os livros do Dr. Hugh Ross, The Creator and the Cosmos [O Criador e o Cosmos], e Beyond the Cosmos [Além do Cosmos]. Ele explica muito das interações de Deus com a humanidade e nossas decisões espirituais através de um contexto extra-dimensional. Gostaria de saber se você já leu seus livros, especialmente no que diz respeito às seções sobre os aspectos extra-dimensionais de Deus. Este material parece plausível para você? Se você já leu, você viu alguma coisa que parecia problemática?

Craig

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Você pode achar a minha crítica às visões de Hugh em “Hugh Ross’s Extra-Dimensional Deity,” [A Deidade Extra-dimensional de Hugh Ross] Philosophia Christi 21 (1998): 17-32; “Hugh Ross’s Extra-Dimensional Deity: A Review Article,” [A Deidade Extra-dimensional de Hugh Ross: Um Artigo Crítico] Journal of the Evangelical Theological Society 42 (1999): 293-304; e em Time and Eternity (Crossway, 2001). Sim, eu acho muito problemática.

Pergunta 10:

Dr Craig,

Quando adolescente, eu caí para longe da fé na igreja Rito Latino, quando comecei a fazer perguntas que os meus líderes da igreja local não podiam ou não queriam responder. Anos mais tarde, os pais da minha atual noiva me compraram "Em Defesa de Cristo”, que me levaram ao seu debate com Frank Zindler, e para o mundo da apologética como um todo.

Imagine o meu alívio ao descobrir que a visão de mundo cristã para a qual eu tinha nascido não era apenas intelectualmente razoável, mas também mais gratificante para a minha mente curiosa do que qualquer uma das outras visões de mundo que eu pesquisei!

Nos quatro anos ou mais desde que eu reafirmei minha crença em Deus, tenho lutado com a ideia de que, porque a minha crença em Deus é baseada em evidências, e não em fé, meu relacionamento com ele é de alguma forma diminuído. Ficando no fundo da igreja em um culto, e ver meus amigos e companheiros da igreja cantando e acenando com sincero abandono de si, muitas vezes eu senti que era ali onde Deus estava, e que este era o lugar onde eu não estava.

A minha pergunta é esta: Eu recentemente comecei a me permitir ter a alegria de pesquisar e ter conversas filosóficas. Ao declarar Deus como digno do meu tempo e atividades intelectuais, eu acredito que eu estou, no sentido etimológico da palavra, louvando-o.

Eu ainda oro, e procuro-o com meu coração, mas assim como conheço mais e mais a minha esposa conversando com ela, descobrindo a respeito de seu passado, e considerando tudo o que ela já me disse me leva a amá-la ainda mais, não poderia isto ser o mesmo com Deus?

É possível que Deus tenha nos programado para conhecê-lo com as nossas mentes, bem como com nossos corações?

Carinhosamente,

Michael

- país não especificado

Dr. Craig responde:

Oh céus, Michael, a resposta à sua última pergunta é: "Sim, sim, SIM!" Jesus ensinou que o maior de todos os mandamentos (e, portanto, a nossa principal obrigação moral) é amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a alma, com todas as nossas forças e com toda a nossa mente. Devemos amar a Deus de forma holística, tanto com nosso intelecto quanto com nossas emoções. Sua analogia de seu relacionamento com sua futura esposa é exatamente correta.

Minha preocupação é que você parece simpático a uma epistemologia da religião segundo a qual a crença em Deus, na ausência de evidências (proposicionais), é irracional. Essa é uma opção para o filósofo cristão, mas não é, penso eu, correta. Negar que essa evidência proposicional é necessária para a crença justificada ou garantida nas grandes verdades do Evangelho não é abraçar o fideísmo, mas manter que Deus pode fornecer fontes não-inferenciais de garantia das crenças cristãs. Olhe para o meu capítulo de abertura do Reasonable Faith (Crossway, 2008) ou, se você é ambicioso, Warranted Christian Belief [Crença Cristã Justificada] de Alvin Plantinga (OUP, 2000).

Deixe-me encorajá-lo, também, a não abandonar a adoração corporativa. Isso é vital para o discipulado cristão e é comandado por Deus (Heb 10:24-25). Você pode encontrar uma igreja onde as emoções não são tão expostas publicamente, para que você se sinta confortável adorando o Senhor em tal contexto.

- William Lane Craig