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#117 Objeções ao Princípio Causal

September 25, 2014
Q

Querido Dr. Craig,

Eu sou um agnóstico/ateu que recentemente tem debatido os méritos do Argumento Cosmológico Kalam (KCA) com um acólito seu, em um fórum. Eu acho que tenho todas minhas objeções claras em minha mente agora, e estava esperando que você pudesse me dar alguns comentários sobre eles. Minhas objeções concernem à primeira premissa, “Tudo o que começa a existir tem uma causa para sua existência.”

Primeiramente eu preciso investigar um pouco sua definição de “começar a existir”. Você considera esta frase sinônimo de “tem um passado finito”? Aqui estão algumas premissas:

(a) Tudo o que tem um passado finito começou a existir.

(b) Tudo o que começa a existir tem um passado finito.

Se você endossa estes, que eu espero que você endosse, então é uma questão de necessidade lógica que você considere os dois sinônimos. Se você rejeita um deles (como (a)), então eu estaria interessado em sua definição de “começa a existir”. Sob a maioria das outras definições de “começa a existir” eu estou sujeito a rejeitar a segunda premissa (que o universo começou a existir), em vez da primeira.

Se a sinonímia delas é aceita, você não pode ter qualquer objeção a minha modificação da primeira premissa:

1´. Tudo o que tem um passado finito tem uma causa para sua existência.

Agora uma observação sobre seu uso de linguagem. Enquanto tenho certeza de que você esteja familiarizado com o argumento que questiona o que veio antes do Big Bang são sem sentido (a analogia normal é “O que está ao norte do Polo Norte?”) você insiste em usar linguagem que faz parecer que você não entendeu este argumento. Por exemplo, eu já vi você usar linguagem tal como “criação ex-nihilo”, “surgir do nada”, “surge espontaneamente do nada”, todos que implicam transição de um estado de inexistência para o estado de existência. A alternativa para um universo causado não é um universo que “veio à existência sem causa”, mas um universo que nunca “não estivesse em existência” e, assim, para o qual não havia transição de não-existência para existência. Dizer que o universo estava em um estado de inexistência implica uma perspectiva externa do universo, que implicitamente rejeita a ideia que o universo é tudo o que existe. Se o universo é tudo o que existe, não houve evento da criação, mas, simplesmente, um estado inicial do universo. Outro participante do fórum colocou sucintamente a questão quando escreveu: “Não há nada de onde o universo tenha vindo” não é idêntico a “O universo veio do nada”. Em vez disso, a contenção é que aplicando “veio de” para o universo é um erro de categoria.

Isso me leva a minha primeira objeção, que é que a premissa modificada 1' tem pouco da força intuitiva do original. Aqui está o que a Stanford Encyclopedia of Philosophy diz sobre as consequências da mudança:

Enquanto por trás [a premissa original 1] coloca a antiga contenção Parmenidiana que do nada nada surge, nenhum princípio conecta diretamente finitude com causa. Críticos contendem que nós não temos razão para pensar que, simplesmente porque algo é finito, deve ter uma causa para vir à existência.

Se você escolher uma definição de “começou a existir” que requer uma transição de um estado para outro, ao invés de meramente um passado finito, eu irei rejeitar a segunda premissa em vez disso. Porém, minha impressão é que tal posição não seria sustentável, dado o que você já escreveu sobre o ACK, por exemplo:

Mas, de qualquer forma, como já argumentei em outro lugar, os modelos não-singulares viáveis (como o modelo de Stephen Hawking) ainda envolvem um passado meramente finito e, portanto, um princípio de tempo e do universo.

Minha segunda objeção (separada) é simplesmente que não é sábio extrapolar verdades metafísicas gerais da experiência diária. “Algo não pode estar em dois estados opostos ao mesmo tempo” é uma premissa que pode alguma vez ter parecido uma “verdade ontologicamente necessária”, “uma que é constantemente confirmada em nossa experiência”. Porém, quando nós nos aventuramos para dentro do mundo da física subatômica, nós descobrimos que coisas alo (?) não estavam de acordo com nossas experiências no mundo macro. Você parece estar familiarizado com o exemplo da formação do par de partículas virtuais sem causa, levando à radiação de Hawking, que, se acredita, atualmente ser sem causa. Você objeta que:

Agora de fato a produção do par de partículas não fornece uma analogia para esse surgimento radical ex nihilo, como Davies parece implicar. Este fenômeno quântico, mesmo que seja uma exceção ao princípio de que todo o evento tenha uma causa, não provê analogia para algo vindo à existência a partir do nada. Apesar de físicos falarem da criação e aniquilação deste par de partículas, tais termos são filosoficamente enganadores, pois tudo o que realmente ocorre é a conversão de energia em matéria ou vice-versa.

Porém, este é um padrão duplo, já que exemplos do dia a dia de coisas que “começam a existir” também não envolvem criação de verdade. Assim, você procura desacreditar transições sem causa como precedente para um começo de universo sem causa, enquanto usa transições causativas como a base intuitiva para um começo causativo. Ou tais eventos são parecidos com o começo do universo ou não são. (Note que quanto à objeção 1 eu não concordo que o universo “veio à existência do nada”; esta é uma objeção separada).

Porém, não quero gastar tempo demais neste ponto, já que mesmo que eu conceda a você que não existe nada sem causa em nossa experiência, o argumento indutivo ainda não é válido. Aqui estão alguns argumento indutivos parecidos com o ACK:

1. Cada pedaço de terra no planeta Terra é encostado em um pedaço de terra mais ao norte.

2. O Polo Norte é um pedaço de terra no planeta Terra.

3. Portanto, o Polo Norte é encostado em um pedaço de terra mais ao norte.

1.Todo número inteiro positivo tem um outro número inteiro positivo que é menor que ele em uma unidade.

2. O número um é um número inteiro positivo.

3. Portanto, existe um número inteiro positivo que é menor que o número um em uma unidade.

1. Tudo de um tamanho finito tem uma ou mais coisas ao redor.

2. O universo é de um tamanho finito.

3. Portanto, existe uma ou mais coisas ao redor do universo.

Em cada caso, o argumento é válido se as premissas são válidas. Também em cada caso, contra-exemplos para a primeira premissa além dos mencionados na segunda premissa não estão disponíveis. A única forma de rejeitar os argumentos é rejeitando a primeira premissa, algo que ninguém tem qualquer dificuldade em fazer. É óbvio para nós que em um argumento concernente a tamanho, o menor número positivo não pode ser tratado da mesma forma que o resto. Em um argumento sobre a direção norte, o ponto mais norte deve ser tratado diferentemente dos outros pontos. Da mesma forma, em um argumento sobre uma série de estados do universo que causam um ao outro, o estado inicial deve ser tratado diferentemente a todos os estados subsequentes. O fato de que nós não observamos qualquer outro começo a uma cadeia de causação não é mais misterioso do que o fato que não existem múltiplos números positivos que são os menores, ou múltiplos pontos que são mais norte.

Eu incluí o terceiro “argumento” acima porque me parece ser o que mais se encaixa com o ACK. A ideia de que espaço finito implica algo além daquele espaço é pouco diferente da ideia que tempo finito implica algo além daquele tempo. Ambos são rejeições da ideia que pode haver limites finitos ao que existe.

Para sumarizar minhas objeções:

1) Quanto a premissa ser baseada em intuição, causação é intuitivamente associada com algo movendo-se de um estado para outro, não com um passado finito. Uma metafísica em que o universo é tudo o que existe rejeita a ideia de uma transição de não-existência para existência, já que não existe nada - nem mesmo o vazio - de onde o universo poderia ter transicionado. Linguagem tal como “veio à existência sem causa” é uma tentativa de evitar lidar com esta alternativa.

2) Quanto a premissa ser baseada em indução de eventos diários:

a) Alguém não pode generalizar de eventos diários para o mundo da física. (“Tudo o que acontece ao meu redor parece ter uma causa, portanto a criação de uma partícula virtual deve ter uma causa” seria um exemplo desse tipo de argumento ruim).

b) Mesmo se tais argumentos fossem válidos, o exemplo específico no ACK não é, porque em um argumento indutivo envolvendo uma sequência linkada, o primeiro e último item devem ser tratados diferentemente de todos os outros itens.

Eu concluo que a premissa tem pouca base tanto por intuição quanto por indução. Obrigado por ler e espero que tenha tempo de escrever uma resposta.

Chris

United States

Dr. Craig responde


A

Eu normalmente não seleciono perguntas que são tão longas como a sua, Chris, (dica para os futuros questionadores!), mas já que você responsavelmente levanta diversas objeções comuns à primeira premissa do argumento cosmológico kalam como eu tenho colocado, eu decidi responder brevemente cada uma de suas objeções.

Mas antes que eu faça isso, vale à pena notar primeiro que o que você oferece são objeções que meramente cortam por baixo da premissa (1), não objeções que a refutem. Isto quer dizer que suas objeções tentam diminuir a garantia que temos em acreditar na premissa causal, mas faz nada para falsificá-la. Sua conclusão é que “a premissa tem pouca base tanto intuitiva quanto indutiva.” Isto não é somente consistente com ela ser verdade, mas até mesmo com ela ser mais plausível do que sua negação, que tem, eu acreditaria, ainda menos evidências a favor dela tanto intuitivamente quanto por indução. Nesse caso você ainda deveria acreditar no princípio causal em vez de sua negação.

Mas o princípio causal é tão desolado de garantia como você alega? Vamos considerar primeiro sua sustentação intuitiva. Como você notou, metafísicos tão antigos como Parmênides reconheceram o princípio que existir só pode vir de existência, que algo não pode vir a existência de algo que não existe. Eu acho que você mesmo reconhece isso, pois sua estratégia ao diminuir a premissa causal é de tentar mostrar que pelo ateísmo o universo não veio, de fato, a existência do nada.

A fim de fazer sua defesa, você focou na expressão “começou a existir” e propõe substituí-la pela expressão “tem um passado finito,” que, no caso, faria com que a premissa modificada “tenha pouco da força intuitiva do original.” Portanto, a garantia para a premissa original alegadamente evapora.

Esta objeção é confusa de muitas formas. Primeiro, presume falsamente que se uma afirmação A é logicamente equivalente a uma afirmação B e B não é intuitivamente óbvio, então a garantia intuitiva para A é nulificada. Isto é claramente errado. Pense em algumas equações matemáticas complexas que são equivalentes a 2+1=3. A opacidade da anterior não faz nada para diminuir a garantia intuitiva da posterior. Na verdade, alguém poderia plausivelmente argumentar que a direção da garantia é contrária: em vista da equivalência lógica delas, a obviedade intuitiva de A acrescenta a nossa confiança na verdade menos óbvia de B!

Da mesma forma, estou inclinado a concordar que seu

1´. Tudo o que tem um passado finito tem uma causa para sua existência.

é logicamente equivalente a minha premissa (1) e é menos óbvia também. Mas eu acho que em vista da obviedade da premissa causal, como a coloquei, nós temos boas razões para pensar que sua afirmação equivalente também é verdade. Minha objeção a sua modificação da primeira premissa, então, é que ela é obscurantista, como substituir "27+62/41 x ½" por "2" em "2+1=3."

Segundo, você confunde uma definição com uma análise. Você não está procurando por uma definição de “começou a existir.” Estas palavras são tão simples que um aluno de primeiro ano de Ensino Médio as entende. Sinônimos incluiriam “iniciou a existência” ou “começou a ser.” O que você está realmente buscando é uma análise filosófica do que significa começar a existir. Se existe tal análise é aberta a debate. Pode muito bem ser que tal conceito seja primitivo e não possa ser analisado em outros termos. Em meus trabalhos publicados tenho tentado provar a seguinte análise de “começou a existir”:

A. x começa a existir em t se x entra em existência em t.

B. x entra em existência em t se (1) x existe em t, e o mundo real não inclui situações em que x existe atemporalmente, (2) t é, ou o primeiro tempo em que x existe, ou é separado de qualquer t*< t em que x existiu por um intervalo durante o qual x não existe, e (3) a existência de x em t é um fato tenso.

Seria obtuso para o detrator do argumento responder que se você substitui a análise acima para “começou a existir” na premissa original, então a premissa perde sua garantia intuitiva. Análises não devem capturar a obviedade intuitiva dos termos a serem analisados. O que é importante para uma análise bem sucedida é que as condições colocadas na análise não usem por si mesmas a noção sob análise, e que elas sejam de tal forma que, qualquer coisa tendo apenas aquelas condições irá, neste caso, propriamente ser designada como algo que começou a existir.

Agora a cláusula-chave em minha análise é (B) (3). Ao pressupor uma teoria do tempo dinâmica ou tensa ou (para apropriar a terminologia conveniente de McTaggart) Teoria-A, de acordo com a qual o tornar-se temporal é real, o proponente do argumento cosmológico kalam justificadamente presume que a existência do universo no primeiro momento no tempo representa o momento em que o universo começou a existir. Somente se você adota uma Teoria-B do tempo estático ou sem tensão, de acordo com o qual tornar-se temporal é uma ilusão na consciência humana, o primeiro momento da existência do universo não será o momento em que ele veio à existência. Portanto, a questão real separando o proponente do argumento cosmológico kalam e os críticos da primeira premissa é a objetividade de tensão e tornar-se temporal.

Agora sua expressão “tem um passado finito” é, na melhor das hipóteses, uma suposta análise, não um sinônimo, de “começou a existir.” Dada uma teoria do tempo tenso, estou inclinado a aceitar sua análise. Qualquer coisa que é finita em seu passado veio à existência no passado. Não importa que sua análise não seja tão intuitivamente óbvia como a premissa original. Análises dificilmente são.

Quanto a suas preocupações sobre meu uso de frases como “começou a existir do nada,” eu tenho colocado explicitamente em meus trabalhos publicados que tais expressões não devem ser interpretados como a postulação de um estado de nada anteriormente à existência do universo. Em vez disso, elas são expressões do fato de que o começo do universo é um fato tenso, como (B) (3) afirma. Como escrevi no Blackwell Companion to Natural Theology,

De início ao fim, o argumento cosmológico Kalam é predito sob uma Teoria-A do tempo. Sob uma Teoria-B do tempo, o universo não começa a existir de fato ou torna-se real no Big Bang; simplesmente existe sem tensão como um bloco de espaço-tempo de quatro dimensões que é finitamente estendida na direção do antes de. Se tempo é sem tensão, então o universo nunca realmente veio a existir, e, portanto, a procura por uma causa de seu começo de existência é mal concebida. Apesar da pergunta de G. W. F. Leibniz, “Por que existe (sem tensão) algo ao invés do nada?” ainda deva ser corretamente perguntada, não haveria razão para olhar por uma causa do começo de existência do universo, já que em teorias do tempo sem tensão o universo não começou a existir em virtude de ter um primeiro evento mais do que uma régua de um metro começar a existir em virtude de ter um primeiro centímetro... Portanto, a questão real separando o proponente do argumento cosmológico Kalam e críticos da primeira premissa é a objetividade de tornar-se temporal e tenso.

Eu suspeito que esta seja a questão que nos separa também. Quando você diz, “Se o universo é tudo o que existe, não houve um evento da criação, mas simplesmente um estado inicial do universo,” você parece estar endossando, implicitamente, uma Teoria-B do tempo. Eu também noto sua assimilação do tempo para o espaço em seu comentário, “A ideia de que espaço finito implica algo além daquele espaço é pouco diferente da ideia que tempo finito implica algo além daquele tempo.”

Por contraste, um cosmologista como Alexander Vilenkin usa precisamente os mesmos tipos de expressão que eu, quando caracteriza o começo do universo, falando livremente do universo ser “espontaneamente criado do nada” e “aparecendo do nada.” Ele, obviamente, não acha que havia um estado de nada antes do Big Bang. Em vez disso a apropriação de tais expressões depende de sua visão da realidade de tornar-se temporal e tenso.

Eu já rejeitei, novamente, com Tomás de Aquino, a ideia de que a criação é um tipo de mudança ou transição (veja minha obra com Paul Copan Creation out of Nothing [Criação do Nada] [Baker, 2004]). O universo não faz transição de inexistência para existência, já que na criação não há sujeito duradouro, mas o vir-a-ser absoluto daquele sujeito. Em vez disso, a noção chave aqui é novamente a realidade do tornar-se temporal. Tornar-se temporal é real? Se sim, então ao começar a existir o universo veio a ser. Se você estiver interessado em seguir o debate da teoria do tempo A vs. B, eu lhe recomendo meu Time and Eternity [Tempo e Eternidade](Crossway, 2001).

Quanto a sua segunda objeção, que “não é sábio extrapolar verdades metafísicas gerais da experiência diária,” parece-me completamente sem objeção dizer que o princípio causal mantém suporte experiencial. Deveríamos ignorar os dados uniformes da experiência em apoio à premissa (1) e fazer de conta que ela é tão provável quanto seu oposto? Isso é realmente estar cego à evidência!

Eu não entendo sua apreensão sobre minha resposta à afirmação que partículas virtuais não têm causa. Elas têm. Elas são flutuações da energia no vácuo. O vácuo quântico não é nada. É um mar turvo de energia. O filósofo da ciência alemão Bernulf Kanitscheider enfatiza que nos chamados eventos de criação quântica nós estamos lidando com “um processo causal vindo de um substrato primordial, com uma rica estrutura física, para um substrato materializado do vácuo.

Admitidamente este processo não é determinista, ele inclui aquele tipo fraco de dependência causal peculiar a todos os processos mecânicos quânticos” (Bernulf Kanitscheider, "Does Physical Cosmology Transcend the Limits of Naturalistic Reasoning?" [A Cosmologia Física Trancende os Limites da Racionalização Naturalista?] em Studies on Mario Bunge's "Treatise," ed. Weingartner and G. J. W. Doen [Amsterdam: Rodopi, 1990], pp. 346-74).

Acabou de me ocorrer que talvez sua dificuldade seja que você falhou em diferenciar entre premissa (1) e

1*. Todo o evento tem uma causa.

Meu argumento não nos compromete a (1*) e, portanto, é bastante consistente com eventos quânticos serem causalmente indeterminados. O que eu nego é que coisas, substâncias que possuem propriedades, possam vir à existência sem causa alguma. Como foi notado acima, em física quântica, como nas experiências do dia a dia, sempre existem condições causais para as coisas virem a ser.

Então não existe um padrão duplo aqui, pelo que eu vejo. O que a primeira premissa requer é que qualquer coisa que começa a existir tem uma causa de algum tipo, e esta condição é cumprida para partículas virtuais. Não sabemos de alguma exceção para o princípio causal. Por que não devemos ficar impressionados com esta evidência?

Você dá alguns argumentos supostamente indutivos que falham. Mas, Chris, os argumentos que você dá são todos argumentos dedutivos! E cada um deles tem uma premissa falsa! Eles não são de forma alguma análogos à evidência universal indutiva que dá suporte ao princípio causal.

Eu também lhe aconselharia a ser cauteloso ao atacar um argumento indutivo em particular, somente porque outros argumentos indutivos falham, até acabar rejeitando a indução como um todo. Então você estará aterrissando em ceticismo absoluto. O fator que distingue um argumento indutivo, diferente do argumento dedutivo, é que a verdade de suas premissas não garante a verdade da sua conclusão. Mas raciocínio indutivo permanece muito confiável e, além do mais, é indispensável ao comportamento racional.

Mas você insiste que nesse caso nós temos boas razões para pensar que o começo do universo é uma exceção ao princípio causal. Se você estivesse correto, isso realmente diminuiria a evidência indutiva em apoio à premissa (1). Mas qual razão existe para pensar que o universo é uma exceção ao princípio causal? Você afirma, “em um argumento sobre uma série de estados do universo que causam um ao outro, o estado inicial deve ser tratado diferentemente de todos os estados subsequentes.” Por quê? Não vejo razão para tratar tal estado como uma exceção. De fato, eu deveria pensar que a origem sem causa de um estado absolutamente primário é ainda mais obviamente impossível do que a origem sem causa de um estado temporalmente embutido. De qualquer forma, o ônus está sobre você para justificar esta exceção ou torna-se uma rejeição arbitrária do princípio causal.

Você acrescenta: “O fato de que nós não observamos qualquer outro começo a uma cadeia de causação não é mais misterioso do que o fato de que não existem múltiplos números positivos que são os menores, ou múltiplos pontos que são mais norte.” Esta afirmação parece confusa. O fato que você menciona não é, nem aqui nem lá, quanto à evidência indutiva para o princípio causal. O argumento indutivo não é que é misterioso que não vermos sequências causais começando abruptamente sem antecedentes e, sim, que temos evidência empírica uniforme de que as coisas que começam a existir têm causas - sem exceção. Além disso, nos casos que você menciona é logicamente impossível ter entidades postuladas (números positivos menores ou pontos mais ao norte), enquanto nenhuma impossibilidade lógica tem mesmo sido sugerida de o universo ter uma causa para seu começo.

Não consigo deixar de suspeitar que seja a iminente implicação do teísmo que faz com que você seja cético da evidência impressionante para o princípio causal.

- William Lane Craig