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#108 Onisciência e Infinito Real

January 14, 2015
Q

Olá Dr. Craig,

Tenho contemplado a onisciência de Deus e como isso se relaciona com o infinito.

Estou lutando para chegar a um acordo com a onisciência de Deus e um infinito futuro. Depois de ler o livro de Eric Sotnak “The Kalam Cosmological Argument and the Possibility of an Actually Infinite Future (1999)” [O Argumento Cosmológico Kalam e a Possibilidade de um Infinito Futuro Real] eu estou persuadido por seu argumento mas isso não se encaixa bem com a minha visão teológica que Deus é onisciente.

A parte do argumento dele que eu achei convincente foi:

(AL1) O intelecto de Deus apreende a vida após a morte de Peter como sem fim.

(AL2) Se o intelecto de Deus apreende a vida após a morte de Peter como sem fim, então o intelecto de Deus ou apreende a vida após a morte de Peter como um infinito potencial ou infinito real.

(AL3) Se o intelecto de Deus apreende a vida após a morte de Peter como infinito potencial, então haverá dias da vida após a morte de Peter que chegarão que não estão inclusos na apreensão intuitiva de Deus.

(AL4) Não há nada que acontecerá que não está incluso no intelecto.

(AL5) Portanto, o intelecto intuitivo de Deus apreende a vida após a morte de Peter como um infinito real.

(AL6) Se o intelecto intuitivo de Deus apreende a vida após a morte de Peter como um infinito real, então a vida após a morte de Peter é infinito real.

(AL7) Portanto a vida após a morte de Peter é um infinito real.

(AL8) Se a vida após a morte de Peter é um infinito real, então infinitos reais são possíveis.

(AL9) Portanto, um infinito real é possível.

vindo de uma formação em engenharia talvez haja alguma aspecto lógico faltando que eu não consiga ver.

É a dificuldade com o infinito potencial e real que me confunde. Tanto que parece plausível que se Deus fosse capaz de compreender tudo então ele deve ser capaz da infinidade real de Peter. Mas isso parece impossível pois o infinito pode ser atravessado. Será que isso implica que Deus não sabe tudo.

Ajude-me

Um frustrado,

David

United States

Dr. Craig responde


A

Para aqueles leitores que estão confusos com o foco desse argumento, deixe-me dizer que a questão chave do argumento cosmológico kalam para um Criador pessoal do universo é a afirmação que um número infinitamente real de coisas não pode existir. Objeções do tipo acima tentam mostrar que um teísta ortodoxo não pode endossar o argumento kalam. Esses tipos de objeções não tentam refutar o argumento tanto quanto envergonhar seus proponentes ao forçá-los a adotar visões teológicas não ortodoxas.

Noto com interesse que o argumento de Sotnak é baseado em termos do conhecimento intuitivo de Deus, que serve para diferenciar sua objeção contra argumentos na presunção de que o conhecimento de Deus é proposicional em sua forma, que eu discuti na Pergunta da Semana 106. Sotnak quer provar que até se o conhecimento de Deus é uma intuição sem divisão da realidade, Sua onisciência gera um problema para a ideia de que um número realmente infinito de coisas não pode existir.

Ao responder o argumento de Sotnak, David, parece-me que deveríamos negar (AL3). Dado o fato que as coisas e os eventos futuros não existem na realidade, isso quer dizer, tornar-se temporal é um aspecto objetivo do mundo, a vida após a morte de Peter é um infinito potencial. Infinidade nesse sentido é um mero limite de conceito, um limite em que os dias da vida de Peter aproximam-se sem fim mas nunca chegam. Segue portanto que simplesmente não já dias “além” desse limite que permanecem desconhecidos para Deus. (AL3) é portanto completamente errado.

Talvez o que Sotnak está implicitamente presumindo é que se Peter viverá para sempre, então sua vida após a morte será um infinito real. Mas então ele está incorrendo a petição de princípio contra a vida após a morte de Peter ser um infinito potencial. O que se quer é algum argumento para tal presunção. Além do mais, toda a conversa sobre onisciência torna-se naquele caso somente uma decoração de janela superficial. O argumento deveria ser somente que a imortalidade implica a existência de um infinito real. Onisciência nem mesmo entra na história. Se a imortalidade implica a existência de um infinito real foi a questão central no meu diálogo com Wes Morriston sobre o argumento cosmológico kalam, que eu recomendo a você. (veja "Debate on the Kalam Argument" no Reasonable Faith Podcast).

- William Lane Craig