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#229 Pessoalidade Infinita Implica Panteísmo?

October 28, 2014
Q

Caro Dr. Craig,

Meu nome é Nathan, eu tenho 17anos e moro em Birmingham, Reino Unido. Depois de ler o livro “Ethics” [Ética] de Espinoza, agora estou em um conflito filosófico entre o que parece ser racional no panteísmo e minhas visões religiosas do Calvinismo. Eu queria saber se você poderia ajudar.

A minha pergunta é se o conceito de uma "pessoa infinita" faz sentido se você acredita na concepção teísta de Deus. Como Deus é infinitamente poderoso, sábio e amoroso, se uma pessoa infinita como um conceito não faz sentido lógico, então, nem a ideia de Deus faz.

Primeiro, precisamos identificar o que significa ser uma pessoa. Uma pessoa é ser uma pessoa particular, distinta dos outros e com os nossos próprios limites. A interação entre duas pessoas só é possível se elas tiverem sua própria fronteira, pois de outro modo não seriam pessoas distintas. Assim, chegamos a nossa primeira premissa: ‘Pessoalidade é finita'

Se pessoalidade é finita então segue que 'Seres infinitos não são pessoas’.

Então chegamos à ideia de Deus. Deus é, por definição, um ser infinito. Isso implica que ele não tem limites, e ele não é distinto de outros seres. Por isso, ‘Deus é infinito, e, portanto, não é uma pessoa’.

Podemos resumir o argumento da seguinte forma:

1) ‘Pessoalidade é finita’

2) ‘Seres infinitos não são pessoas’

3) ‘Deus é infinito, e, portanto, não é uma pessoa’

Este argumento não tem implicações para um panteísta, pois mostra que, se Deus é infinito Ele não é diferente de nada. No entanto, um monoteísta terá que rejeitar este argumento, pois eles acreditam que se pode ter um relacionamento pessoal com Deus, o que só é possível se ele é um ser distinto do crente. Portanto, a minha pergunta, Dr. Craig, é como você responde a este argumento panteísta?

Nathan

United Kingdom

Dr. Craig responde


A

Fiquei intrigado com sua pergunta, Nathan, porque espelha muito de perto o argumento de três teólogos que critico em meu artigo "Pantheists in Spite of Themselves?” [Panteístas Apesar deles Mesmos?], em que argumento que esses teólogos, ao endossar o seu tipo de argumento, estão implicitamente abraçando o panteísmo! O artigo aparece aqui no nosso site, e eu o recomendo a você.

O problema com o argumento, parece-me, é que a primeira premissa é falsa. A justificação dada para a primeira premissa é que as pessoas têm "fronteiras" ou "limites" e são, portanto, finitas. O pressuposto é que tudo o que é limitado é finito. Isso é comprovadamente falso. A série de números naturais 0, 1, 2, 3,... é delimitado por 0, mas não é, por conseguinte, finita. Para dar um exemplo físico, uma parede de tijolos com um número infinito de tijolos pode se estender ao infinito a direita de alguém, mas pode ter um limite na frente e ser, digamos, apenas três tijolos de altura. Pessoas tem "limites" em um sentido metafórico: você não é eu. Deus não é Gordon Brown. Mas o fato de que duas pessoas são distintas não implica que um deles não pode ser infinito. É claro que o infinito de Deus não é realmente um conceito quantitativo, mas tem referência aos Seus atributos superlativos. Mas, então, não há nenhuma razão para pensar que uma pessoa não poderia ser onisciente, onipotente, onipresente, moralmente perfeita, eterna, etc., e a outra limitada nesses mesmos aspectos. Nenhum desses atributos exclui a existência de uma pessoa distinta que tem conhecimento limitado, bondade, poder, etc.

Aliás, porque não explorar a teologia Wesleyana como uma alternativa para o Calvinismo? Essa é uma alternativa muito melhor do que Espinozismo!

- William Lane Craig