#109 Pruss sobre a Formação de um Infinito Real por Adição Sucessiva
January 14, 2015Alexander Pruss tem sugerido um contra-exemplo para argumentos a priori para a idade finita do universo em seu blog.
Um Alfa-widget (AW) gasta um ano tocando o violino, e depois fazem uma cópia deles mesmos. Cada AW leva apenas metade do tempo para fazer uma cópia de si mesmo do que foi gasto em sua própria criação. Então cada geração de AWs produz a próxima em metade do tempo que levou para sua própria criação. É possível para um alfa-widget ser feito sobre o período de um ano. Então haveria uma seqüência de alfa-widgets potencialmente infinita mas nunca completa vindo a existência: a primeira no começo do ano zero, a segunda no ano 1.5, a terceira no ano 2.75. Isso parece ser logicamente possível.
Porém se Alfa Widgets são possíveis, então Beta Widgets (BW) também são possíveis. Um BW faz a mesma coisa que um AW mas na ordem oposta: primeiro ele faz uma quase duplicação em metade do tempo que leva para fazer ele mesmo, e depois toca violindo por um ano, se o beta-widget é feito em um ano, então meio ano depois, ele faz outro beta-widget. Este, então, faz outro em um quarto de um ano. E assim por diante. Quando chegar a dois anos, temos um número infinito de beta-widgets produzido por uma adição sucessiva. Ou é isso que o Dr. Pruss afirma. (BWs não estão produzindo infinitos potenciais até onde consigo ver).
Não consigo ver qualquer razão para negar que o Beta Widget é possível - mas um infinito real parece absurdo.
Será que é simplesmente melhor afirmar que infinitos reais não são realizáveis no espaço-tempo? Mas que ele pode existir em pensamento (Deus poderia contar até um, ou manter um número infinito nos pensamentos de sua mente). Pois parece de fato que é a fisicalidade do Hotel de Hilbert que nos prende.
Eu estou confuso. Dr. Pruss e você parecem estar corretos - mas os dois não podem estar certos. Por favor ajude, antes que eu comece a acreditar em antinomias Kantianas.
Graham
United States
Dr. Craig responde
A
Parece-me que o argumento de Alex é simplesmente muito confuso e de uma elaboração complexa sem necessidade de uma objeção simples já feita por críticos do argumento cosmológico kalam.
A experiência de pensamento do Alfa Widget é terrivelmente confuso, não simplesmente por causa de seus detalhes desnecessários sobre toca violino e assim por diante, mas porque da forma como está descrita simplesmente não faz sentido. (Se você duvida disso, tente desenhar uma linha do tempo do que é descrito.) Em primeiro lugar, a história requer que tenha um ano zero. Então podemos pensar que por “começar no ano zero,” Alex está falando hipoteticamente de uma linha do tempo que contém um ano zero, no começo do qual o primeiro Alfa Widget vem a existência. Mas então nos é dito que um Alfa Widget tem a propriedade de fazer outro Widget em metade do tempo em que ele foi feito. Isso imediatamente levanta a pergunta de quanto tempo levou para fazer o primeiro Alfa Widget. Bem, Alex diz que o segundo foi feito durante o intervalo de 1.0 e 1.5. Já que isso é metade do tempo que levou para fazer o primeiro Widget, o primeiro deve ter sido feito no tempo de um ano. Isso implica que o primeiro Widget deve ter sido criado entre - 1.0 e o início do ano 0. Então todos os dias do ano 0 ele ficou brincando até 31 de dezembro do ano 0. Mas então o que aconteceu? Ele deveria ter criado outro Widget, certo? Mas não! Em vez disso ele tocou por mais outro ano de 0 a 1.0 ante de começar a criar, o que contradiz as condições da história.
Isso pode fazer-nos pensar que Alex não tem, de fato a visão de um ano 0 mas pensa que Deus criou o primeiro Widget instantaneamente no começo do ano 1, para que o ponto designado por 0, em que o primeiro Widget veio a existência, é o primeiro ponto do ano 1 e talvez até mesmo o começo do tempo em si. Então aquele Widget tocou durante um ano antes de ser criado em 1.0. Mas então, já que o primeiro Widget veio a existência instantaneamente, o segundo deveria ser criado na metade do tempo, que, se isso faz qualquer sentido, deve significar instantaneamente em 1.0, não 1.5, como as condições da história requerem.
O único sentido que eu consigo fazer desta história é que o primeiro Widget foi feito entre 0 e 1.0, para que viesse a existência no final do ano 1. Então entre 1.0 e 2.0 ele fez nada. Então entre 2.0 e 2.5 ele criou um segundo Widget. Este espera até 3.5, e então cria um terceiro widget entre 3.5 e 3.75. E assim por diante.
Então a ideia é que nós temos uma séria de intervalos, cada um separado por um ano, convergindo em direção ao zero como limite: 1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, . . . . São os constantes intervalos de um ano separando esses intervalos progressivamente encolhendo que deveria fazer esse tipo de série sem objeção, pois nunca pode ser completado. Não tenho certeza que esse fator da história serve para tornar o cenário metafisicamente possível; mas não importa: a pergunta em questão é se a possibilidade de tal seqüência implica que o cenário do Beta widget é metafisicamente possível.
Agora o cenário do Beta widget, que também é descrito de forma confusa, basicamente remove os intervalos de um ano separadamente os períodos de criação. O primeiro widget vem a existência em 1.0, o segundo vem a existência em 1.5, o terceiro em 1.75, e assim por diante. Mas então vemos que, tirando as decorações de janela, este cenário é simplesmente uma velha objeção das tarefas sobre-humanas novamente. A primeira tarefa leva um minuto para realizar, a segunda leva meio minuto, o terceiro um quarto de minuto, e assim por diante. No final de dois minutos uma tarefa sobre-humana infinita foi completada de forma mágica. Não há nada de novo aqui.
Nem existe qualquer razão para pensar que a possibilidade metafísica do cenário Alfa implica a possibilidade do cenário Beta. De fato, removendo os intervalos de um ano faz toda a diferença do mundo!
Talvez a força intuitiva na ilustração de Pruss é que os widgets Alfa e Beta parecem ser essencialmente do mesmo tipo de máquina: uma máquina que faz um sucessor em metade do tempo em que ele foi feito. Tal máquina parece possível em um caso mas não no outro; mas certamente, a possibilidade metafísica de tal máquina não depende na fato contingente de se ele espera por um ano antes de começar a fazer um sucessor! Parece-me, porém, que pensar assim é esquecer que é a possibilidade metafísica do cenário inteiro que está em jogo, não um fato isolado sobre uma máquina. E então a diferença dos intervalos de um ano fazem com que os cenários sejam bastante diferentes.
Você deveria entender que Alexander Pruss tem uma mente que nunca está em descanso e está constantemente brincando com novos argumentos. Ele gosta de jogá-los contra a parede e ver se eles grudam. Você irá notar que ele mesmo não diz que ele acha o argumento proferido convincente. Na verdade, se você olhar o debate dele com Wes Morriston em http://prosblogion.ektopos.com/archives/2009/03/how-god-could-c.html você encontrará uma defesa estimulante da parte de Pruss dos argumentos kalam contra a formação de um infinito real por adição sucessiva. Por exemplo, ele diz:
por que Craig não pode dizer isso:
(*) Qualquer alcance de um processo começando no início mas terminando antes da marca de duas horas é possível, mas o processo como um todo não é possível.
Há, no final das contas, processos satisfatórios (*). Por exemplo, considere o seguinte processo. Durante a primeira hora, Deus diz: 'Eu prometo que no ano que vem eu vou criar finitamente muitos cavalos, pelo menos um em número.' Durante a meia hora seguinte, Deus diz: 'Eu prometo que ano que vem eu vou criar finitamente muitos cavalos, pelo menos dois em número.' Durante os 15 minutos seguintes, Deus diz: 'Eu prometo que ano que vem eu vou criar finitamente muitos cavalos, pelo menos três em número.' E assim por diante. O processo truncado em qualquer duração de tempo menos do que 2 horas é possível. Mas o processo continuando por todas as duas horas é impossível, já que então Deus teria feito um número impossível de promessas (para satisfazer todas as promessas, ele teria que criar um número finito de cavalos que excede cada totalidade), e um Deus essencial e moralmente correto não pode fazer isso.
Ele também observa que o tipo de objeções de Morriston parece fazer alguém vulnerável ao assim chamado Paradoxo de Grim Reaper (veja uma breve discussão no artigo que eu e Jim Sinclair escrevemos no novo Blackwell Companion to Natural Theology.) Eu acho que a mente de Pruss ainda está indeciso sobre toda esta questão. (Na verdade, quando essa resposta estava para ir online, eu recebi o seguinte e-mail dele: “Bill, por outro lado, eu acabei de postar um argumento do outro lado: http://alexanderpruss.blogspot.com/2009/05/is-time-continuum.html.”)
Finalmente, eu quero acrescentar que esse tipo de objeção é em um certo sentido além do ponto quanto a possibilidade da formação seqüencial de um passado infinito. Pois estas chamadas tarefas sobre-humanas todas vêem tarefas contendo progressões infinitas de intervalos cada vez mais curtos. Mas a formação de um passado infinito por adição sucessiva envolve o cumprimento de tarefas contendo um número infinito de intervalos de duração equivalente. Aquiles pode ser capaz de cruzar o estádio, mas como ele pode atravessar um passado infinito real permanece, em minha mente, profundamente problemático.
- William Lane Craig