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#842 Ser convertido ou convencido

August 02, 2023
Q

Dr. Craig,

Gostaria de fazer uma pergunta geral sobre o seu argumento cosmológico kalam (ACK). Se entendi direito, o senhor era cristão convicto antes de fazer o seu doutorado sobre o assunto, na Inglaterra.

Se for verdade, parece que o senhor cria na conclusão do argumento antes de revê-lo no seu trabalho acadêmico. Quer dizer que o ACK não o convenceu da existência de Deus, mas, sim, apoiou a conclusão que já tinha.

Assim, a minha pergunta é a seguinte: dadas todas as objeções científicas e filosóficas ao argumento, além do fato de que ele sequer serviu para convencê-lo, por que é que acha que ele deva convencer aos demais?

Agradeço por seu trabalho e por ler a minha pergunta.

Atenciosamente da Europa,

Eóin

Alemanha

Dr. Craig responde


A

A sua pergunta, Eóin, confunde ser convertido com ser convencido. Uma vez que era teísta cristão quando comecei meu doutoramento na Inglaterra, o meu estudo do argumento cosmológico kalam não me converteu; porém, o argumento me convenceu, sim. Veja bem: fui para a Inglaterra com a mente aberta em relação ao argumento. Desde que vim a saber do argumento a partir do livro de Stuart Hackett, The Resurrection of Theism [A ressurreição do teísmo], após me formar na faculdade, e sobre a história do argumento a partir da obra magistral de Frederick Copleston, A History of Philosophy [História da filosofia], fiquei tão fascinado com o argumento que, simplesmente, tive de determinar na minha mente se ele era válido e convincente. Por isso, foi este o enfoque da minha pesquisa no doutorado sob a orientação de John Hick, na Universidade de Birmingham.

Os meus estudos me convenceram, mais do que nunca, de que o argumento é válido e persuasivo. Não só se sustentam os argumentos filosóficos, mas tomei consciência das provas astrofísicas verdadeiramente extraordinárias em apoio à premissa de que o universo começou a existir. Assim, o argumento me convenceu, sim.

A resposta à sua pergunta: “por que é que acha que ele deva convencer aos demais?” é bastante óbvia! (i) Ela é válida do ponto de vista lógico; (ii) as suas premissas são verdadeiras; e (iii) as suas premissas são mais bem amparadas pelas provas do que os seus contrários. Quanto a “todas as objeções científicas e filosóficas ao argumento”, busquei cumprir o meu dever filosófico, respondendo a todas as críticas acadêmicas ao argumento de que tenho ciência (bem como a objeções realmente ridículas na internet), a fim de mostrar por que elas não conseguem ser convincentes. Cheguei até ao ponto extremo de debater o argumento com os principais objetores, em debates públicos ao vivo diante de plateias universitárias. Você viu o meu debate, por exemplo, com o Prof. Dr. Ansgar Beckermann, na Universidade de Munique? Assista e diga-me quem você acha que deu o argumento mais convincente.

Por isso, não se acue por causa do mero volume de objeções, Eóin: é claro que ateus e agnósticos objetarão ao argumento! Pense no que está em jogo para eles. Eu posso ter, verdadeiramente, a mente aberta, ao passo que eles não o podem.

- William Lane Craig